Uma das maiores dúvidas sobre a reforma tributária é se ela vai encarecer produtos e serviços para o consumidor final. Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), há um temor generalizado de que os preços subam.
Mas será que isso vai mesmo acontecer? Neste artigo, explicamos como a nova tributação afeta os preços, quais setores podem sentir mais impacto e o que empresários e contadores devem observar para se preparar.
O que muda na forma de cobrar tributos?
A principal mudança trazida pela reforma é a substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos:
- CBS – arrecadado pela União;
- IBS – arrecadado por estados e municípios.
Ambos funcionam como um IVA (Imposto sobre Valor Agregado): incidem sobre o valor adicionado em cada etapa da cadeia de produção e comercialização.
O imposto será “por fora” e mais visível
Hoje, muitos tributos são embutidos no preço, o consumidor nem sempre sabe quanto está pagando de imposto. Com a reforma, os novos tributos serão cobrados de forma “por fora”, ou seja, destacados na nota fiscal.
Isso dá maior transparência, mas pode passar a sensação de aumento no preço, mesmo que a carga tributária total não mude.
A alíquota pode parecer alta, mas não significa aumento automático
Estima-se que a alíquota somada de CBS e IBS fique entre 25% e 27%, variando conforme o setor. Essa alíquota pode parecer alta, mas:
- Ela substitui vários tributos anteriores, com alíquotas cumulativas e complexas;
- O modelo de IVA permite recuperar créditos ao longo da cadeia, reduzindo o “efeito cascata”;
- Isso tende a equilibrar os preços, especialmente em setores com várias etapas produtivas.
Enfim, e o preço? Vai ficar mais caro ou mais barato?
A resposta depende do perfil do setor:
- Indústria e comércio podem se beneficiar, pois vão recuperar créditos de toda a cadeia;
- Setor de serviços pode ser mais impactado, pois muitos prestadores não têm insumos com direito a crédito, o que pode aumentar o custo final;
- Alimentos, educação e saúde podem ter alíquotas reduzidas ou regimes diferenciados, para evitar aumento de preços essenciais.
E para o consumidor final? O que esperar?
É possível que, em alguns setores, o preço final suba, especialmente em serviços com pouco crédito tributário (como consultorias, escolas, salões de beleza etc).
Mas em outros casos, a simplificação e o fim da cumulatividade devem:
- Reduzir custos de produção;
- Eliminar distorções entre estados e municípios;
- Estabilizar preços a médio prazo, com menor contencioso e burocracia.
→ O Cashback: Devolução de Imposto para Famílias de Baixa Renda
Para proteger a população de menor poder aquisitivo, a reforma instituiu um mecanismo de devolução de parte do imposto pago, conhecido como “cashback”. Dessa forma, pessoas físicas de famílias de baixa renda, inscritas no CadÚnico, receberão de volta uma parcela do IBS e da CBS pagos em suas compras.
A devolução será de 20% do IBS e da CBS na maioria dos produtos, mas chegará a percentuais maiores em itens essenciais, como 20% do IBS e 100% da CBS no gás de cozinha e nas contas de energia elétrica e água. Esse sistema visa a reduzir a regressividade do sistema tributário, garantindo que o peso dos impostos seja menor para quem tem menos.
O que o empresário deve fazer?
Para se preparar e evitar repassar custos indevidos ao consumidor:
- Mapeie sua cadeia de fornecedores e verifique se haverá direito a créditos;
- Revise contratos e políticas de precificação para evitar aumentos de preço desnecessários;
- Simule o impacto da nova carga tributária no seu negócio;
- Mantenha diálogo com sua advogada tributária para tomar decisões estratégicas.
Conclusão: o impacto nos preços vai depender de cada negócio
A reforma tributária não determina automaticamente que os preços subirão. O efeito real dependerá de:
- Como cada empresa se adapta ao novo modelo;
- Quais créditos poderão ser aproveitados;
- Políticas setoriais de alíquotas diferenciadas.
A melhor estratégia é antecipar os impactos, fazer simulações e buscar equilíbrio entre rentabilidade e competitividade. A transparência no novo sistema pode ser uma vantagem, tanto para o consumidor quanto para quem vende.
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