A reforma tributária trouxe uma dúvida que está cada vez mais comum entre empresários: quem está no Simples Nacional vai passar a pagar novos impostos?
A resposta é (pode ser que) sim, mas entender como isso acontece é o que realmente importa. Dependendo do seu tipo de negócio, essa mudança pode não afetar quase nada… ou pode impactar diretamente sua competitividade.
O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária?
Não. O Simples Nacional continua existindo normalmente.
Ele permanece como um regime diferenciado, criado justamente para simplificar o pagamento de tributos para micro e pequenas empresas, reunindo tudo em uma única guia mensal .
O que mudou foi o sistema tributário ao redor dele. Com a reforma, surgem novos tributos sobre o consumo, o IBS e a CBS, que substituem impostos como ICMS, ISS, PIS e COFINS .
Empresas do Simples pagarão IBS e CBS?
Sim, mas isso não significa que você terá novos boletos ou mais burocracia.
Se a empresa continuar no Simples, o pagamento continua sendo feito por meio do DAS. A diferença é que, dentro desse valor, já estarão incluídos o IBS e a CBS.
Ou seja, na prática, a rotina de pagamento não muda muito. O ponto mais relevante não está no “como pagar”, mas no efeito que isso gera no mercado.
Onde está a principal mudança?
A grande mudança está na forma como os tributos funcionam entre empresas.
Com a reforma, o sistema passa a permitir que empresas aproveitem créditos tributários ao longo da cadeia. Em termos simples, isso significa que um imposto pago em uma etapa pode ser abatido na etapa seguinte.
E é aqui que surge um impacto importante: empresas que compram de fornecedores querem aproveitar esses créditos.
Se o fornecedor estiver no Simples, isso pode não acontecer da mesma forma, o que pode influenciar decisões comerciais.
Existe alternativa para empresas do Simples?
Sim, e esse é um dos pontos mais relevantes da reforma.
A empresa poderá optar por recolher IBS e CBS fora do Simples, separadamente. Isso permite que ela gere créditos tributários para seus clientes, o que pode melhorar sua competitividade em determinadas situações.
Por outro lado, essa escolha traz mais complexidade e exige mais controle. Deixa de ser apenas uma questão de simplicidade e passa a ser uma decisão estratégica.
Quais empresas podem ser mais impactadas?
O impacto varia bastante conforme o tipo de atividade.
Empresas que vendem diretamente para o consumidor final tendem a sentir pouco efeito, já que o cliente não utiliza créditos tributários.
Já empresas que vendem para outras empresas podem precisar avaliar melhor sua posição, pois entram em um ambiente onde o crédito tributário influencia diretamente a escolha de fornecedores.
O Simples Nacional pode deixar de ser vantajoso?
Pode, em alguns casos, mas não de forma geral.
O que muda é que ele deixa de ser uma escolha automática. Antes, o Simples era quase sempre a melhor opção para pequenos negócios. Agora, isso depende de fatores como:
- o perfil dos clientes,
- a estrutura da operação e,
- o posicionamento da empresa no mercado.
Como se preparar para essa mudança?
O mais importante neste momento é não tomar decisões no impulso, mas também não ignorar o cenário.
Começar a entender o perfil dos seus clientes, analisar como sua empresa se encaixa no mercado e avaliar possíveis impactos tributários já é um grande passo.
A tendência é que empresas mais preparadas consigam se adaptar melhor e aproveitar oportunidades que surgirão com a nova estrutura.
Conclusão: o Simples continua, mas exige análise
O Simples Nacional não acabou, mas o contexto mudou.
A escolha do regime tributário deixou de ser apenas uma questão de simplificação e passou a envolver estratégia. Dependendo do caso, permanecer no Simples pode continuar sendo a melhor opção, em outros, pode ser necessário repensar.
Entender isso com antecedência é o que separa empresas que apenas reagem daquelas que se posicionam melhor no mercado.
Sua empresa pode perder competitividade sem perceber
Com a reforma tributária, decisões simples passam a ter impactos maiores.
Avaliar o enquadramento tributário deixou de ser uma formalidade e passou a ser parte do crescimento do negócio.
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